Texto de Júlia Guedes, vice-presidente do CCE-MANA 2014





Não. Não foi o que sonhávamos. Não foi o que almejávamos. Não foi o Verde, o Azul e o Amarelo que ecoou na voz da torcida ao soprar o apito. A sede de ser feliz em cada canto do nosso país, por alguns instantes, que se prolongam até agora, cortam a garganta, impedem o riso, travam os gritos de glória. A garra da torcida inteira não foi inteira o quanto deveria. Alguns abandonaram. Outros viraram as costas. Muitos cruzaram os braços e desacreditaram. Não que até agora tenhamos acreditado que isso tudo não passou de um pesadelo daqueles de não conseguir acordar, mas não é por isso que não somos Brasil. Não deveria ser por uma derrota que deixemos de ser Brasil. Somos Brasil desde o nascimento até a morte. Carregamos em nós toda a essência do brasileiro. Somos cultura, língua, modos, crenças, diversidade, ética. Somos verde e amarelo não importa onde estejamos. Eu sou Brasil, você é Brasil, e assim sendo, somos o país na vitória e na derrota.

Ser patriota é carregar todo o sentimento de nacionalismo e respeitar a pátria, com todo o orgulho, com todo o amor do SER BRASILEIRO. É entender que essa emoção não deve ser sentida apenas de quatro em quatro anos, e se os resultados forem positivos. É ir além do superficial e de fato entregar-se ao dever de alimentar a sua fé e a fé daqueles que por nós lutaram em campo, com muito otimismo. É não virar as costas e recusar amparo, pelo contrário, é saber reconhecer que daquela vez, eles precisavam mais da gente, do torcedor, da nação, do que a gente deles. Negar a sua seleção por falhas é ser no mínimo ignorante. Não devemos nos envergonhar de termos perdido a semifinal, deveríamos nos envergonhar de ter vaiado, abandonado os nossos guerreiros, os culpando sem ao menos ter notado a aflição, o desespero, a vontade e o mesmo misturando-se com um sonho que eles sentiam escorregar pelos dedos e não conseguiram segurar. Sim, temos que ter vergonha por aqueles que tiveram a audácia de largar a esperança na arquibancada e despir a empáfia de ser BRASIL. Nós somos esta nação e devemos sentir sempre a veneração por ela.

Ô pátria amada,

Idolatrada,

Salve,

Salve.

A copa não é apenas um jogo. A copa não se resumiu a estes 90 minutos. Veja nossa cidade. Veja nosso país! Saiba enxergar o quão bom foi recepcionar o mundo inteiro com todo o carisma e charme brasileiro. Vocês podem ver? O brilho nos olhos destes desconhecidos que hipnotizam-se com toda nossa diversidade e cultura? Vocês veem? Veem como eles sorriem apreciando nossas raízes, nossos costumes? Enxergam que apesar de muitos desconfiarem e até duvidarem de como seria esse grande espetáculo, aqui, em nossa casa, como conseguimos lidar de forma civilizada? Que por mais que por um curto período, até mesmo nós nos anestesiamos com o fato de toda essa exuberância se produto nosso? Vejam! A copa no Brasil infelizmente não foi DO Brasil, mas nos trouxe vitórias também. Não fechemos nossos olhos para o que alcançamos de bom, por uma tristeza que apesar de ainda dolorida e frágil, será fugaz, assim como estes momentos de glorificação que estamos tendo como consequência da copa, mas depois disso passar, quem será você? Bem, eu sou Brasil, e arrisco dizer que você também é.